Segundo Paulo Roberto de Souza, assessor de segurança da NTC & Logística, a região da Grande Curitiba, que concentra os principais eixos rodoviários de ligação entre o Sudeste e o Sul do Brasil, respondeu por aproximadamente 50% das ocorrências no Paraná em 2012. Ele aponta os contornos da capital e o trecho local da Régis Bittencourt, principalmente em Campina Grande do Sul (Região Metropolitana), como os pontos mais problemáticos.
Gilberto Cantú, presidente do Setcepar, afirma, entretanto, que a situação vem melhorando na região de Curitiba em 2013.
“Este ano, a partir do segundo trimestre, o número de ocorrências diminuiu. Ano passado foi uma época crítica, era mais de um roubo por dia na Região Metropolitana de Curitiba. Conversamos com a Sesp, com a equipe da Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas (DEDC), e fizemos uma pressão para que houvesse um trabalho focado nesse tipo de crime. Do início do ano para cá, com a mudança no comando da DEDC, houve uma boa melhora. Chegamos a ter 15 dias sem roubo de cargas na região”, diz Cantú.
Sérgio Malucelli, presidente da Fetranspar, também acredita que a situação melhorou este ano. Mas ele cobra atuações contínuas das forças de segurança.
“Temos boas relações com a Sesp e com as polícias. Tivemos um pico (de roubo de cargas) no segundo trimestre mas a partir dali tivemos ações policiais e houve uma redução. Mas isso não é feito de forma sistemática. Por isso pedimos a criação de uma delegacia especializada de roubo de cargas, de abrangência estadual, para que haja sempre um acompanhamento. Não temos nem dados oficiais desses crimes. As informações que temos vêm das seguradoras”, afirma Malucelli.
A Sesp informou que os desvios de cargas entram nas estatísticas gerais de roubos do Estado. O delegado titular da DEDC, Marcelo Lemos de Oliveira, que assumiu o comando da unidade em agosto, aponta que a equipe da delegacia atua prioritariamente em Curitiba e região metropolitana, mas eventualmente age no interior.
Segundo números parciais da DEDC, do início de novembro até o começo da semana passada a equipe da delegacia havia registrado 17 roubos de cargas, um indicativo de que o mês deveria fechar com grande queda em relação a outubro, quando foram computados 32 crimes no mês inteiro. “Essa redução pode ser pela sazonalidade ou pelas prisões (de quadrilhas) que foram feitas recentemente pela nossa equipe e pela Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos”, diz Oliveira.
O delegado aponta que as quadrilhas de roubos de cargas são especializadas e não costumam praticar outros tipos de crimes. No máximo, se dedicam também ao desmanche de veículos, especialmente de caminhões tomados durante os roubos.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) lançou em fevereiro um disque-denúncia específico para quem quiser fornecer informações sobre roubo de cargas nas rodovias da região de Curitiba monitoradas pela corporação. Em média, o serviço recebe três ligações por dia com denúncias sobre roubo de cargas. Segundo a PRF, desde a criação do disque-denúncia a incidência desse tipo de crimes na região caiu de quatro para dois por semana. O número é (41) 3676-1602. O telefone 191 está disponível para todas as regiões do Paraná.
Em outubro, uma operação da PRF em Campina Grande do Sul resultou na prisão de dez pessoas envolvidas em roubos e receptação de mercadorias roubadas. A ação teve apoio da Polícia Federal, Polícia Civil de São Paulo, DEDC e Polícia Militar do Paraná.
Fonte: Folha de Londrina – 04/12/2013.