Em assembléia realizada no dia 20 de outubro na sede da empresa Expresso Nordeste de Cafelândia, com a presença do presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Cascavel (Sitrovel), Hilmar Adams, do secretário geral Jonas Cleiton Comíssio e do funcionário Rui Nonato da Silva, os motoristas reprovaram por unânimidade a proposta patronal.
O Sitrovel foi procurado pela advogada e psicóloga da Expresso Nordeste, que apresentou uma proposta de renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) com piso salarial de R$ 800,00 para os motoristas da empresa em Cafelândia – valores inferiores aos estabelecidos em Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) firmada pela Fetropar com a federação representante das empresas (Fepasc), no valor de R$ 1.260,00.
O presidente do Sitrovel abriu para que os trabalhadores se manifestassem a respeito da proposta da empresa. Ao final da consulta, todos foram unânimes na reprovação, concordando que o salário atual é menor do que o das outras empresas e que se existe uma Convenção Coletiva de Trabalho que prevê um salário adequado, inclusive praticado por outras empresas da região, não teria porque a Expresso Nordeste querer explorar os motoristas de tal forma. Ainda foi levantado o fato de que todas as empresas contratadas pela COPACOL para realizar o transporte de trabalhadores recebem por quilômetro rodado o mesmo valor da Nordeste e no entanto pagam o salário de acordo com a CCT.
Após amplo debate, passou-se à votação, quando por unanimidade dos votos ficou decidido como válida a CCT em vigor como critério único para estabelecer os salários dos motoristas. Também, por unanimidade, os trabalhadores aprovaram que o SITROVEL fica incumbido de negociar o pagamento das diferenças de salário previsto na CCT e não pago pela Expresso Nordeste.
ABUSOS DA EMPRESA
Os trabalhadores também denunciaram aos representantes do Sitrovel diversas condições adversas que enfrentam no ambiente de trabalho. Um dos absurdos informados foi que quando um trabalhador precisa folgar, por exemplo, para ir ao dentista, a empresa exige o pagamento de R$ 35,00 – para que um motorista FREE LANCER cubra sua falta.
Outro sério problema denunciado foi em relação ao dormitório dos motoristas. Localizado dentro da oficina, é totalmente inadequado devido aos altos ruídos e ao grande mau cheiro da instalação. Os trabalhadores ainda reclamaram que o bebedouro está equipado com um copo de alumínio coletivo, não sendo fornecido pela empresa os copos descartáveis. A cozinha também se localiza dentro da oficina, de forma inadequada.
De acordo com denúncias, a jornada de trabalho com horários inadequados impostos pela empresa fazem com que o motorista não consiga dormir nem de dia e nem de noite, dificultando o descanso pela falta de adaptação do corpo..